Tenho uma paixão pouco secreta pela decadência. Aquando dos meus fins de semana (exclusivamente) suburbanos, tenho oportunidade de molhar-me até à cintura nos mais viscosos pântanos sociais, com a companhia de um ou dois pares de amigos benevolentes, que fingem a mesma paixão que eu.
Num ritual quase vampiresco, sorvo o artista de fim-de-semana que (quase) toca para o target "cinquentão solitário que abandonou a esperança de ainda ter erecções", a kizomba mais corriqueira, o funaná mais desconfortável, climas tensos pré-"cadeiras no ar". Entre as mangas à cava com logotipo manhoso e a roupa coisinha da Bershka tiro horas de inspiração para coisa nenhuma.
Num passeio da bifana ou num espreitar para o outro lado da mesa percebo que sou apaixonado pelo romantismo da decadência. Há qualquer coisa que me comove, me enternece, me diverte. No lixo.

0 comentários:
Enviar um comentário