Conduzimos demasiado rápido ou demasiado devagar? Adoro conduzir no centro de Lisboa. Sim, mesmo ai, no centro. O sitio onde parece que ninguém gosta. Onde há taxistas para mandar pro caralho, semáforos que nos fazem manguitos ou peões que se atiram para cima do carro. adoro! Gosto porque me faz sentir vivo (que merda tão falsa, "faz me sentir vivo" detesto quando alguém diz isto, otários de merda). É o mais perto que alguma vez vou estar de conduzir numa corrida a sério. Vejo todos os carros como adversários, mesmo que eu vá para Sete Rios e o outro pobre desgraçado para Torres Vedras. Há qualquer coisa de interessante em ter de estar no Marquês ás 15 e entrar na 2ªcircular ás 14e55. A parte racional do meu cérebro (é prai 1cm) diz-me para ir para casa que já não vale a pena, mas a outra parte gigante de parvoíce que habita o meu crânio, diz-me "5min? ainda paramos para tomar uma gelada". Há malta que vai pro campo ou pro caralho para se abstrair da "cena", respirar um bocado, eu faço isso a conduzir no centro de Lisboa. Sei que vai ser uma guerra, que ninguém me vai respeitar, que vou mandar umas fortes caralhadas aos fogareiros que infelizmente habitam as nossas cidades, mas gosto, faz me bem, distrai-me. Tenho um pequeno sonho de conduzir um camião do lixo e o meu turno ser o novo turno do meio dia...ia ser tão lindo. Ouvir na tsf que a "segunda" está congestionada e pensar "já não vai estar", e simplesmente pulverizar lata de um lado ao outro da fila. Se pessoas iam falecer? provavelmente! mas eu, e mais pessoas, iam chegar a horas ao destino? podem ter a puta da certeza. é isto. O meu gosto por conduzir como otário não é tão grande que preencha um texto.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
A minha querida avó é analfabeta. Para o mundo ela é a definição clara de uma pessoa analfabeta. A sua capacidade de escrita começa e acaba no seu próprio nome (pensando bem, para as instituições bancárias ela é uma pessoa normalíssima, sabe escrever o máximo de texto que eles requerem...adiante). Até aqui tudo normal, é uma pessoa de 92 anos, no seu tempo de criança era mais importante saber coser um bom par de sapatos, ou competir com um burro para ver quem puxava melhor o arado do que ir á escola. O problema está em mim. Passo a explicar. Eu sei escrever o meu nome e até a minha morada e tal, mas no fundo eu também sou um analfabeto. Eu sou daquelas pessoas que percebe tão pouco de ortografia que por vezes nem o google consegue prever que palavra eu quero escrever. toda aquela estrutura por trás do Google, os logaritmos e as programações (estou totalmente perdido, sei lá o que faz funcionar o google) ficam perdidos quando quero escrever algo mais complicado do que..."complicado". Afecta me particularmente quando quero escrever uma palavra e tenho de desistir e usar um sinónimo. É tão baixo, é tão degradante uma pessoa ter de desistir de escrever uma palavra na sua própria língua. Só podia ser pior se entrasse um chinês no meu quarto e dissesse "é com S". Aliás eu estou a escreve isto e não faço ideia se "dissesse" está bem escrito, muito menos se usei bem as aspas em "dissesse". O meu pequeno conforto é que primeiro, existe tecnologia para me ajudar e, segundo, o que eu sai da minha boca não tem legendas. Eu posso dizer, ou tentar, dizer a mais complexa das palavras que ninguém vai desconfiar que eu nunca a saberia escrever. É assim que eu vivo, nesta vergonha, neste suplicio, sem saber se suplicio é com "S" ou se leva acento num dos dois "i", fodasse. Fodasse tem de ser com dois "s", esta parvoíce não pode continuar.
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nuno
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