A minha querida avó é analfabeta. Para o mundo ela é a definição clara de uma pessoa analfabeta. A sua capacidade de escrita começa e acaba no seu próprio nome (pensando bem, para as instituições bancárias ela é uma pessoa normalíssima, sabe escrever o máximo de texto que eles requerem...adiante). Até aqui tudo normal, é uma pessoa de 92 anos, no seu tempo de criança era mais importante saber coser um bom par de sapatos, ou competir com um burro para ver quem puxava melhor o arado do que ir á escola. O problema está em mim. Passo a explicar. Eu sei escrever o meu nome e até a minha morada e tal, mas no fundo eu também sou um analfabeto. Eu sou daquelas pessoas que percebe tão pouco de ortografia que por vezes nem o google consegue prever que palavra eu quero escrever. toda aquela estrutura por trás do Google, os logaritmos e as programações (estou totalmente perdido, sei lá o que faz funcionar o google) ficam perdidos quando quero escrever algo mais complicado do que..."complicado". Afecta me particularmente quando quero escrever uma palavra e tenho de desistir e usar um sinónimo. É tão baixo, é tão degradante uma pessoa ter de desistir de escrever uma palavra na sua própria língua. Só podia ser pior se entrasse um chinês no meu quarto e dissesse "é com S". Aliás eu estou a escreve isto e não faço ideia se "dissesse" está bem escrito, muito menos se usei bem as aspas em "dissesse". O meu pequeno conforto é que primeiro, existe tecnologia para me ajudar e, segundo, o que eu sai da minha boca não tem legendas. Eu posso dizer, ou tentar, dizer a mais complexa das palavras que ninguém vai desconfiar que eu nunca a saberia escrever. É assim que eu vivo, nesta vergonha, neste suplicio, sem saber se suplicio é com "S" ou se leva acento num dos dois "i", fodasse. Fodasse tem de ser com dois "s", esta parvoíce não pode continuar.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
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