
Hoje houve mais um debate quinzenal na Assembleia da Republica e eu claro adorei uma vez mais. Sim sim eu tenho um gosto especial em ver debates na AR, algumas pessoas metem se nas drogas outras vendem o corpo, eu gosto de ver debates na AR.
E não gosto porque me interesso por política pelo menos não o lado político e sério da coisa, e muito menos vejo porque percebo muito da coisa, nem muito nem pouco, mas vejo porque me entretêm. Vejo como a Sr. Gertrudes vê a novela das 6, com a única diferença que aquilo não é bem uma novela é mais estilo várias sequelas de um filme ranhoso que passou à muitos anos.
Já fui várias vezes acusado de nunca mais crescer, mentalmente bem entendido, mas as pessoas que participam na AR são isso mesmo, pessoas que ficaram sempre com doze anos e que vivem diariamente sempre a disfarçar esse facto, mas a quem foi dado um espaço onde se podem exprimir como criançolas que são. No fundo estas pessoas ganharam um prémio e a AR é como a Terra do Nunca, onde podem ser pirralhos para sempre.
Claro que como a sociedade não aprova esse tipo de comportamentos a coisa foi devidamente disfarçada. Fizeram um edifício todo pimpão, com toda a seriedade possível e imaginaria, e cumprem todos os regulamentos de uma coisa à seria. Vestem fato e gravata como os adultos de verdade, vão trabalhar...pronto vamos dizer trabalhar, todos os dias, e usam até a normal linguagem bem madura de uma pessoa adulta.
Mas depois no conforto da AR começa a magia. Primeiro o horário de trabalho não é rígido, se algum dos miúdos ficou a jogar PlayStation até mais tarde no dia anterior pode perfeitamente só entrar da parte da tarde, e se estiver mesmo cansado a sua participação pode limitar se apenas a estar sentado na cadeira enquanto passa os olhos pelo portátil como se fosse algo importante quando na verdade acede a "mamudasegostosas.com" ou "meninascom14saoidosas.org". Até as férias são um pouco parecidas com as da escola primária, aproveitando se todos os feriados dias santos, "pontes" e até mesmo dias que não seriam "pontes" mas passam a ser, porque sim.
Invejo não poder eu também aceder a este mundo, estar longas horas em amenas discussões das quais todos os intervenientes sabem que não vai sair nada, pelo menos nada de jeito, e ao mesmo tempo poder dizer todas as parvoíces que eu quisesse, que a nossa economia é forte e vibrante, que se vive aqui tão bem como num país evoluído, que somos um país evoluído ou até que vamos ganhar o mundial de 2010. Tudo isto sempre com a certeza que ninguém me cobraria fosse o que fosse, não seria avaliado pelas minhas acções e que se um dia perdesse a cabeça e resolvesse sair, poderia entrar na gestão de uma empresa pública, que não são mais que pequenas Terras do Nunca onde as crianças podem ser crianças para sempre.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Publicada por
nuno
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23:29
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