
Hoje acordei cedo de manhã e fui ao meu banco. Fui com pressa e tentando evitar as filas, mas ainda apanhei dois velhotes que eu juro que dormem lá e são empregados pelo banco apenas para manter sempre uma filinha de gente, para não dar aquela imagem de casa abandonada.
Chegou a minha vez e imediatamente perguntei ao senhor do balcão quanto é que esta história do Cristiano Ronaldo me ia custar. Para meu espanto e depois de ter ficado pelo menos 3 segundos a olhar para mim, disse me muito devagarinho, que o Cristiano tinha sido comprado pelo Real Madrid, e que a menos que eu tivesse algum tipo de participação no capital do clube que nunca me iam mandar nenhuma factura para casa, nem cinco euros para pagar o gel e o creme anti acne do rapaz.
Isto confundiu me, com o alarido que se tem feito acerca do dinheiro pago cheguei mesmo acreditar que o Real ia distribuir a conta pelo menos pelos cidadãos da Península.
Eu até sou uma pessoa de me indignar, acho que já vem no código genético do comum português, alguém de certeza se indignou quando as primeiras caravelas não chegaram logo à Índia, mas desta vez nem eu consigo arranjar tema para tal sentimento. É que nem sequer sou sócio do clube, e mesmo se fosse, com o Cristiano e o Kaka na equipa provavelmente ia me estar literalmente a cagar, mesmo, no trono de porcelana.
Provavelmente se fosse estrangeiro até conseguia arranjar alguma raiva por alguém ter audácia de dar quase cem milhões de euros por um português. Não é normal, está longe de ser natural e até afecta a ordem natural das coisas. É quase imoral achar que um português vai ser assim tão importante e decisivo numa certa área ao ponto de se dar esse tipo de dinheiro.
Alguém que perde minutos a chatear-se com este assunto não deve ter tempo para fazer algo útil na vida, é que vai gastar o seu tempo todo a indignar se com carros que são vendidos por mais de um milhão de euros, hambúrguer em Nova York por mil ou cavalos por 10 milhões.
Como alguém disse, um quadro que custa os mesmos cem milhões e fica para sempre guardado dentro de um cofre, faz menos lógica do que alguém que me pode entreter, nem que seja com uma bola de futebol. Sim eu sei, o primeiro é arte, mas arte que ninguém nem pode apreciar é parvo.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Publicada por
nuno
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18:42
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