quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eurovício


Começa o ano renova-se a expectativa. Não é o carnaval, não são os globos de ouro, não são os óscares. É o festival RTP da canção. Se há certame nesta nação que me entusiasma, é este. Desde petiz (ou desde a Dora e Maria Guinot) que me alimentei deste vício bruto de música ligeira que é o festival. Atravessados os tempos em que se cantava "o conquistador" na escola primária e se roeram as unhas pela Dulce e pela Lúcia, raisparta que aquilo é tudo combinado e só recebemos votos da Espanha, fui-me alimentando de vencedores antigos, coleccionando os prémios de melhor autor e melhor intérprete. E de injustamente vencidos, nas trocas e baldrocas das votações de Ponta Delgada, como é possível a "côr do teu baton" não ter ganho?


É bem certo que já não temos o Ary dos Santos a escrever canções, nem folclore do bom. Do mau, ainda os temas do mar e da saudade, o amor, a paz e os títulos redundantes (*1). Mas não consigo escapar a este vício.


Foram escolhidas 24 canções, que estão agora sujeitas a votação do público. Maldição. Está lá a Lucy. "Yes, we can", que vergonha, um refrão copiado ao PCP.

O meu voto vai para a Nucha, obviamente, uma das últimas divas do Festival. Dotada de uma voz do olímpo, mas com um nome de cabeleireira de bairro, a Nucha é a Whitney Houston mais branca, com menos branca, a comer um rissol no café. O sempre (há sempre alguém) ainda é dos hits mais tocados nas matinées laborais deste que vos escreve. E a prova que os temas redundantes e indutores de esperança não são de agora, são dos idos de 90.


Donde, agora é esperar pela grande noite. O feito de escrever sobre a Nucha num blog de cachopos de nem 30 anos, já cá canta.


*1("Voar é Ver", "Lua sem Luar" e outros que tais)

*2(pronto, não votei uma, votei 3)


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